sexta-feira, 10 de maio de 2013

Retomando a conversa

Tenho escrito bem pouco, mas minha cabeça está funcionando muito rapidamente. Muitas idéias e pouca coisa efetivamente realizada.

Andei colocando no Twitter como me sinto durante as aulas, como vejo nossos alunos.

Para chegar até a escola preciso arrumar a casa, organizar as tarefa de uma filha adolescente, cobrar de nós duas o que deveria ter sido feito pela manhã, almoçar e finalmente deixá-la na escola. Pública, na mesma rede em que eu trabalho.

Chegando a escola ligo os computadores e a lousa digital para assistir  ao desfile de aulas que acontecerão nas próximas cinco horas. Independente do professor, da qualidade do trabalho, do esforço que a escola faz para que nossos alunos aprendam, a grande maioria não está interessada.

Os alunos de hoje agem como se fossemos cuidadores deles. Nos olham como seres inferiores e facilmente amedrontados. Fazem caras e bocas, balançam enormes correntes, falam alto palavras e palavrões, estão sempre com cara fechada. Penso que para eles deveríamos fazer como seus pais e desistir deles. Eles acham que não prestam para nada.

Essas crianças começam a ocupar postos na vida social da cidade. Encontramos nas vendas, nas casas de festa, nos restaurantes do Shopping. A cara ainda está emburrada, mas o olhar agora mudou de ângulo. Estão arrependidos de não ter estudado mais. Agora tem filhos e são chamados na escola porque eles não querem estudar.


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